Ministros do Tribunal Superior Eleitoral realizaram na terça-feira, 14 de julho de 2026, uma reunião com institutos de pesquisa eleitoral para analisar critérios de realização e circulação de pesquisas de intenção de voto. O encontro, presidido por Kassio Nunes Marques, contou com a participação do vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa e representantes dos institutos, entre eles a advogada da ABEP e a cientista política Gabriela Rollemberg. A iniciativa busca aprimorar regras após a suspensão de uma pesquisa do Instituto AtlasIntel em maio e diante da proximidade das eleições.
Objetivos do encontro no TSE
O principal foco da reunião foi pacificar critérios para evitar disputas judiciais e construir jurisprudência sólida sobre pesquisas eleitorais. Os participantes discutiram possível aprimoramento do sistema PesqEle, além de recomendações de neutralidade verbal e regras específicas para pesquisas digitais. A medida visa garantir maior transparência no processo de coleta e divulgação de dados.
Debate sobre neutralidade dos questionários
Durante o encontro, os presentes avaliaram como equilibrar a cobrança por neutralidade absoluta nos questionários com a liberdade de medir o impacto de fatos públicos. A cientista política Gabriela Rollemberg destacou as diferentes visões sobre o tema.
De um lado, existe a cobrança por neutralidade absoluta nos questionários para impedir o efeito enquadramento (framing), sob o argumento de que perguntas sobre escândalos políticos criariam um viés negativo antes da intenção de voto. De outro, o mercado defende que medir o impacto de fatos públicos e notórios é um termômetro legítimo da conjuntura, e que a Justiça Eleitoral não pode atuar como editora de questionários, sob pena de sufocar o debate democrático.
Gabriela Rollemberg
Os ministros reforçaram a importância de orientações claras para institutos, com o objetivo de fortalecer a confiança do eleitorado nas pesquisas. O diálogo também abordou a circulação responsável de resultados em ambiente digital. A expectativa é que novas diretrizes contribuam para reduzir contestações judiciais nos próximos meses.