A empresária Monique Sousa, do segmento de segurança do trabalho, publicou um desabafo no Facebook no dia 26 de agosto questionando o atendimento médico que resultou na morte de seu filho Augusto Oliveira de Souza, de dois anos e oito meses. O menino faleceu em 13 de julho, às 12h23, após receber diagnóstico inicial de amigdalite em Cerejeiras e evoluir rapidamente para pneumonia lobar grave em Vilhena e Ji-Paraná. A postagem reacendeu discussões sobre protocolos de atendimento pediátrico na região.
Timeline dos atendimentos e evolução do quadro
Augusto recebeu o primeiro atendimento às 19h33 do dia 11 de julho, quando foi diagnosticado com amigdalite e o pulmão foi descrito como “ótimo”. Horas depois, o quadro piorou e o menino retornou em estado gravíssimo, com comprometimento respiratório. Menos de dois dias se passaram entre a avaliação inicial e o óbito, conforme os registros citados pela mãe.
Os fatos apontam para atendimentos realizados em Cerejeiras, Vilhena e Ji-Paraná. A família relata que o filho evoluiu de um quadro aparentemente simples para pneumonia lobar em tempo muito curto, gerando dúvidas sobre a interpretação dos sinais iniciais e a indicação de exames complementares.
Pedido por investigação e documentos
Monique Sousa, técnica em segurança do trabalho, defende que casos graves como esse exijam investigação formal para identificar possíveis falhas em protocolos, qualificação profissional ou atrasos no diagnóstico. Ela enfatiza que o objetivo não é apontar culpados previamente, mas esclarecer o que ocorreu nas 40 horas e 50 minutos entre a primeira avaliação e o falecimento.
“40 horas e 50 minutos.<br><br>Esse foi o tempo entre a avaliação médica registrada às 19h33 do dia 11/07 e o falecimento do meu filho, Augusto, às 12h23 do dia 13/07. Menos de dois dias.<br><br>No primeiro atendimento, Augusto recebeu diagnóstico de amigdalite. Eu ainda ouvi que o pulmão dele estava “ótimo”. Poucas horas depois, ele retornou em estado gravíssimo, com pneumonia lobar, comprometimento respiratório e uma evolução que terminou com a morte do meu filho.<br><br>Desde então, existe uma pergunta que não sai da minha cabeça: o que aconteceu nessas 40 horas e 50 minutos?<br><br>A avaliação inicial foi suficiente?<br><br>Os sinais apresentados por ele foram corretamente interpretados?<br><br>Havia indicação de exames ou observação?<br><br>O protocolo adequado foi seguido?<br><br>Houve atraso no diagnóstico?<br><br>Foram perdidas horas importantes em que Augusto poderia ter recebido outro tipo de tratamento?<br><br>Eu não quero conclusões baseadas na minha dor. Eu quero documentos, perícia e investigação.<br><br>Sou técnica em Segurança do Trabalho e aprendi algo durante toda a minha vida profissional: quando acontece um evento grave, principalmente quando existe uma morte, nós investigamos.<br><br>Não para apontar previamente um culpado.<br><br>Investigamos para descobrir o que aconteceu, onde houve falha, quais procedimentos foram cumpridos e o que precisa mudar para que aquilo não aconteça novamente.<br><br>Na saúde não deveria ser diferente.<br><br>Não podemos falar apenas sobre estrutura hospitalar. Precisamos falar também sobre qualificação profissional, experiência, protocolos, tomada de decisão e preparo de quem está à frente de uma urgência ou emergência.<br><br>Quando uma mãe entrega seu filho aos cuidados de um profissional de saúde, ela confia que os sinais serão reconhecidos e que aquela criança receberá tudo aquilo que precisa naquele momento.<br><br>Eu confiei.<br><br>Hoje, nada poderá devolver o Augusto aos meus braços. Eu aceito a realidade mais dolorosa da minha vida: meu filho morreu. O que eu não aceito é que as perguntas sejam enterradas junto com ele. Se tudo foi realizado corretamente, uma investigação séria poderá demonstrar isso.<br><br>Mas, se houve falha, negligência, imperícia, quebra de protocolo ou perda de uma oportunidade de tratamento, isso também precisa ser reconhecido.<br><br>Porque talvez eu não consiga mais salvar o meu filho.<br><br>Mas descobrir a verdade sobre o que aconteceu com Augusto pode ajudar a salvar o filho de alguém.<br><br>JUSTIÇA PELO AUGUSTO.”
Monique Sousa
A postagem pede documentos, perícia e investigação para esclarecer se houve atraso no diagnóstico ou perda de oportunidades de tratamento. Até o momento, não há informações oficiais sobre abertura de inquérito por parte das autoridades de saúde de Rondônia. O caso segue sob análise da família, que busca respostas por meio de canais formais.