Um estudo com dados do ELSA-Brasil mostrou que homens idosos que dormem mais de nove horas por noite apresentam risco 86% maior de desenvolver lentidão e perder mobilidade física ao longo de oito anos de acompanhamento. A pesquisa acompanhou participantes com ajustes para idade, IMC, comorbidades, medicamentos, atividade física e sintomas depressivos, comparando quem dorme mais de nove horas com quem dorme entre sete e oito horas. Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports e destacam diferenças entre os sexos.
Metodologia da pesquisa
A análise envolveu 1.500 participantes do estudo de coorte ELSA-Brasil, conduzido no Brasil. A pesquisadora Cláudia Kimie Suemoto, docente da Faculdade de Medicina da USP, liderou o trabalho em parceria com a Unesp. Os dados foram ajustados para fatores que poderiam influenciar os resultados, garantindo maior precisão na associação entre sono prolongado e declínio físico.
Possíveis explicações e diferenças por sexo
O sono prolongado pode funcionar como marcador de risco para a lentidão, possivelmente ligado a processos inflamatórios e metabólicos. Diferenças hormonais e padrões de sono explicam a ausência de associação significativa entre as mulheres. O acompanhamento ao longo de oito anos permitiu observar a evolução da mobilidade física nos idosos.
O sono prolongado deve ser considerado um marcador de risco para a lentidão, especialmente em homens
Cláudia Kimie Suemoto
Os achados reforçam a importância de monitorar hábitos de sono em homens idosos para prevenir perda de mobilidade. Profissionais de saúde podem usar essas informações em avaliações de rotina e orientações preventivas.